sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sensações

Você sorri
Com minha língua contornando seus mamilos
Seus olhos brilham
Ao sentir meu hálito quente em sua barriga
Morde o lábio inferior
Ao aproximar-se minha boca perigosamente...
Mas relaxa
Vendo-me desviar e ir beijando-lhe as coxas
Gosta
Das minhas mãos pegando com força sua bunda
Fecha os olhos
Com meus dedos levíssimos acariciando
E se desfaz em “ais”
Com meus dentes nos seus mamilos roçando
Me olha com prazer
Com meu vigor esfregando-lhe por entre as coxas
Me segura com força
Guiando-me sem modéstia e com pressa
Morde os lábios
Pressionando seu corpo de encontro ao meu
Gosta
Do meu corpo sem presa fundindo-se ao dela
Mas agora grita
Me querendo mais rápido, agressivo, mais força
Me arranha as costas
Enlaçando-me com as coxas, querendo-me bem fundo
E goza
Beijando-me entre mil sorrisos, suspiros e gemidos
E diz “não demora”
Querendo-me de novo, mais uma vez... agora.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A face do amor

Um dos meus primeiros poemas,
quando o li novamente depois de redescobrí-lo numa velha agenda,
assustei-me.

O sol acorda e vê tédio na terra
Seus raios se inflamam e querem fugir
Mas o confronto é inevitável e viril
Pois há tédio na terra e o sol enlouquece.

Os homens frios se revoltam à luz ardente
Os raios de sol irritam-se, escorregam-se dos homens
Mas a praga os umedece e a luz nervosa
Aquece o ódio do sol contra a terra lerda.

As armas do astro brilham, a terra é o alvo
Os raios de luz ferem homens impassivos
O sangue brota nos olhos queimados que ardem
Da luz surgem espadas impiedosas que embalam a dor.

Na terra lombos feridos curvam-se cansados
O sol contempla o caminho onde sua ira passou
E no fim deste caminho onde sua espada parou
Uma bela moça com um cântaro imersa em sol.

Que brilha em seus cabelos adornados com uma flor
Que faz dos raios de sol gravetos que incendeiam
Suas faces temperadas com um ardor fresco
Que torna brisa e envolve seu corpo que é todo amor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O fundo da Alma

Além do horizonte dourado jaz o futuro sonhado,
Os olhos ansiosos do menino acabrunhado sobre a janela aberta
Que revela o mundo ao mundo sem nenhum chilique
Da mulher caseira de cabelos presos e jeito leve,
Compondo a paisagem do dia, do agora louco
Como miragem que vive e dirige o rumo
Da moça feita de desejos ardentes que inundam
Os olhos e contorce os ferrolhos da urbana
Classe jovem, que é espírito infinito e espera
O futuro que é o próximo segundo, que nem mesmo
O fundo da alma pode revelar ao mundo.

Segredos tórridos de uma melancólica história de amor,
Além dos olhos fechados que guardam o querer
Desprezam o poder fantasiando um caminho,
Que é o mundo nas veias do fundo do ser
Da mente intensa do velho mestre de vasta história,
Mesmo em pouca existência.
É a adulta mulher de olhos criança que vêem detalhes
E anseiam atrás das grades um momento único lúcido,
Em loucura imersa tocar o físico e se fechar
No antro animal do homem que deseja o céu
E se ruma ao fundo do ser e arrebenta os limites
Ao chegar ao cume do mundo no antro ofego,
Vasto universo que revela o esqueleto do ser
Que domina a terra e se perde na sua loucura em procura intensa,
Ao horizonte dourado no afago quente,
Num universo totalmente inconsciente.

o Bocudo

Uma das muitas coisas que encontrei numa antiga agenda esquecida entre coisas velhas.

o Bocudo

Era pobre, pobre e feio, a pobreza o enfeiara,
era feio, mas espero como um coelho.
Ser como um coelho nada adiantou
continuou feio, sujo e mudo.
Pensou então: ser coelho é feio
Serei então bocudo. E o bocudo colocou a
boca pra defender os sujos, os mudos e ele.
Chamaram a polícia, trancaram o bocudo.
E o Bocudo ficou mudo.
Ser bocudo era crime, condenar
o crime é crime (não sabia?!...).
E os sujos, os mudos e os puros
esqueceram que um dia
conheceram um bocudo.
Mas seus avós contavam
de um bocudo puro que foi trancado
para ser mais um homem mudo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ela me lembra a Maitê


Ela me lembra a Maitê.
Pode ser o seu indelével frescor de menina
Ou talvez pela sofisticação que nela se vê
Mas é provável que seja outra coisa que me fascina.

A paixão à flor da pele além do que se pode ver
O calor do desejo acedendo seus olhos cor de mel
que brilham com mil mistérios e é bom crer
pois seu sorriso esconde um inferno e todo o céu.

Tento em vão impedir cada nervo meu de estremecer
À suave provocação, sensual visão dela naquele jeans
E perco-me no perfume seu que incita meu querer.

Seus sapatos vermelhos transtornam meu olhar
E seu cheiro me enlaça como seu sorriso faz enrubescer
Te olho abobalhado e penso em tudo, menos na Maitê.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

uma raiva

uma raiva
inquietação
estado constante de insatisfação
uma vontade de sair
gritar (gritar não)
simplesmente sair e mandar a merda
minha sacrossanta consciência
e fazer o mal que quero
evitar o bem que de mim esperam.

Parabéns Lennon


Imagine que não existem países

Não é difícil fazê-lo.

Nada pelo que matar ou morrer

Tampouco religiões.

Imagine todos os povos.

Vivendo em paz

Você até pode dizer que sou um sonhador.

Mas não sou o único.

Espero que algum dia você se junte a nós

E o mundo, então, será como um só.

Imagine que não existem posses.

Eu me pergunto se você consegue

Não precisar de ganância ou fome

Uma fraternidade humana

Imagine todos os povos

Partilhando o mundo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Adeus

"Adeus" - A palavra não saía dos lábios, as bocas que tanto haviam se beijado se recusavam à despedida, os olhares se devoravam, as mãos ansiavam por dedos entrelaçados... mas mesmo assim a palavra estava ali - "adeus".
A flor que ele trouxe era o último presente, sempre havia flores pelo caminho quando ele ia encontrá-la, sempre havia o sorriso dela ao vê-lo com os braços cheios das mais variadas flores e ramos, sempre havia perfume em seu ninho de amor.
A palavra que sufocava e umedecia os olhos sem ser uma vez sequer pronunciada causava um enorme silêncio, um silêncio cheio de gestos vagarosos e olhares demorados como que gravando para sempre na memória cada detalhe.
Era estranho, porque seus encontros sempre estavam cheios de palavras, a poesia era tamanha, as músicas que sussurravam no ouvido, os sorrisos que ecoavam pelo vale. Deitados olhando o céu ele se deliciava com a voz dela falando e falando e falando, fazendo-o sorrir e sonhar de olhos abertos ao som daquela doçura que enchia seu mundo.
Mas hoje - "adeus" - essa única palavra sem ser ouvida causava uma imensa dor enquanto ele a abraçava aspirando o perfume em seus cabelos e tentava não olhar o horizonte para não adiar nem em pensamento o momento de vê-la desaparecer por entre as árvores levando na mão sua derradeira flor.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Teu lado feminino

Teu lado feminino me erotiza:
são belos, sensuais e muito caros
certos instantes gostosos, em que te encaro
menos como homem e mais como menina:
quando passas teus cremes para a pele,
ou pões o avental pra cozinhar,
ou quando em mim te esfregas
até gozar os teus gozos sem fim,
ou quando tuas mãos, leves e lésbicas,
desabam como plumas sobre mim.

Leila Míccolis
imagem de Leonel Silva

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

o salto

quero saltar
meus pés cautelosos se aproximam do precipício
não quero me entregar à morte
quero o outro lado do abismo.

mas é longe
é distante aonde quero pousar
me dá vertigens olhar aonde posso cair
é quase insensatez o quanto terei que voar.

talvez meus erros
ou o destino aos tropeços me trouxe aqui
mas só me resta um acerto ou um derradeiro erro
do outro lado pouso ou lá embaixo... caio.

Meu jeito careta de ser

Sinto o pulsar da vida no ritmo
do seu coração.
Vejo a força nos seus ombros alvos
tão firmes como suas pernas torneadas.
Sorvo o ar agitado pelo seu perfume
o seu riso mostra seu estilo.

Aprumo meus olhos para ver
sem igual é sua beleza
...não posso descrever
nem ao menos como seu poeta ou seu amante
mapear seu corpo ou sondar sua alma
cravejada com mil diamantes.

Provo o sabor eterno do amor
ao falar e atento ouvir sua voz.
Corro contra a idéia fixa de segurar sua mão
e em seus braços voar contigo.
Revelo meu jeito careta de ser
ao abrir meu coração e sonhar com você.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

estranho mundo novo

ou... "foi isso que eu entendi de pós-modernismo"

Sou ruptura, fragmentos plurais
sou falta de consenso, rostos multifaciais.
Vivo a angústia de não saber o amanhã
a verdade que trago não é regra nem será espada
ela se esgota nesse momento, nesse lugar, nesse olhar.

Não tenho fundamentos que me dêem a certeza de permanecer
mas tenho asas e posso voar
e entre tempestades e raios me metamorfosear,
nem que seja só para conservar aquela beleza única e necessária.

Abaixo os tiranos, mesmo aqueles que vivem em nós!
Quero o desconforto de quem sempre procura
o estranhamento necessário de quem
(tão logo acostuma-se a uma idéia)
sente a inadiável vontade de retornar ao caminho
das imprevisíveis possibilidades.

O pacto

Não eras, meu amigo, o amor o que importava?
Deveras não era ele a plenitude da vida
E por ele não devia eu dar tudo e em tudo arriscar-me?
Se a força da juventude me fizesse voar não deveria eu
O amor buscar e em tudo me entregar e perseguir
E contra tudo lutar e dá-me sem medo a esse amor?
Não eras meu amigo o amor o que importava?
Porque, então, é amargo o meu ventre como fel?
E minha boca azeda tem sede e bebe e não sacia sua sequidão?
Os meus pés cansaram e não querem mais correr
Pois a batalha os exauriu e buscar foi em vão.
Meu coração ferido a ferro está ébrio e não mais se renova
Deu-se ao vício, incorrigível, irrecuperável sua vista turva
Não mais quer crescer, não mais meu amigo, quer sofrer.

A verdade tem o caráter do absoluto e a esperança do eterno
Tornam a noite em dia, o choro em riso:
E a vida flui como águas perenes que irrigam esse deserto.
Tornam a noite em estrelas, o choro em lágrimas de prazer:
E a vida é fogo que ilumina os olhos e aquece mórbido inverno.
Porventura esquecerás dessa vida e conseguirás viver?
Como uma candeia nada é se não há fogo que a faça queimar
Teus olhos emudeceriam e teu corpo amorteceria em silêncio
Se deixasses de perseguir, meu amigo, fogo para o teu altar.
Tu dizes que não mais quer, que teus pés cansaram
E falas que em tudo buscastes e nada encontrastes
Pois o teu ébrio coração ferido não mais quer sofrer.
Porventura, meu amigo, que emana do teu corpo ao chorar?
Podes tu renegar a vida, arrastar-se sem forças pelo teu deserto?

Permitam que também eu fale ao meu desinquieto amigo
Pois ele amuado em cega obstinação esqueceu do pacto
Que quando ainda jovens fizemos com coragem atroz:
“A prisão é liberdade! Na morte ou fracasso temos um riso fácil!”
A incoerência não assusta, nem o desafio amedronta nossa alma.
Então o que fizeste agora? Meu amigo, que loucura o persuadiu?
Que medo o fez covarde, foi força ou fraqueza que o fez cair?
Perdoe minha rudeza, sabes que sou bronco caro amigo.
Sabes também que não há nada que impeça a vida de jorrar
Nem milhares de muralhas, nem o não que pensas lhe dar
Então não pense como tolo que ganhas ao fazer-se perdedor.
Se enriqueceres sob as sombras seu ouro será para as traças
Se abrires tuas portas e tuas dádivas deixares ir:
“A prisão é liberdade! Na morte ou fracasso temos um riso fácil!”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Delírio

Desce entre os seios de uma rosa
uma gota de orvalho.
Corre com um desejo animal
o sangue nas veias rubras.
Bate contra as pedras opacas de diamantes
os joelhos de um viajante.
Sobe pelas vielas de um labirinto escuro
o doce aroma de um sonho.

Toca na renda fina
que envolve uma flor pequenina.
Houve o vento e seu desejo louco
de morrer junto ao sol no horizonte vasto.
Ver o beijo sonhado sob a luz da lua
resplandecer em lábios molhados.
Prova o sabor eterno da luz
no ébrio aconchego de uma doce canção.

a dois passos

Me ocorreu agora que anseio o céu que parece estar a dois passos,
mas sinto falta dos infernos que não vivi.

Raiva

Foi pensando e remoendo tudo, pensando e revendo o filme, pensando e sangrando, pensando e envenenando ainda mais a alma de rancor com tanto gerúndio estuporando-o por dentro desde que tomara a infeliz decisão de não ceder nem ouvir e tapando os ouvidos nem olhar nos olhos a menina que sem alento tanto tempo havia amado.

Comunicado

Sou o autor do blog "no escuro da minha alma", um blog que criei para postar meus textos, contos e poemas.
Sei lá como aconteceu, mas não consigo mais acessar esse blog. Então, depois de muito tentar resolvi o problema, abri um outro blog: Esse.
Esse post é apenas para comunicar, afinal alguns certamente verão aqui textos que viram lá e poderiam pensar... plágio? dejavu? mesmo autor? É isso, mesmo autor. E agora tomei as providências que acho serem suficientes para que isso não aconteça de novo.

Abraços;
Sant'Ana

cicliquez

parafernália

porque você, eu, a gente não é uma coisa só,
a gente é um monte de coisas reunidas
que você não sabe o nome,
que a gente vai descobrindo aos poucos,
se maravilhando e se horrorizando.

quem é todo santo ou pecado por inteiro?
que traste não tem um traço sequer de virtude?
que herói não guarda a sete chaves instantes de covardia?
que puta não é também apenas menina ou poeta que é leitor
pois se o rótulos são autoritários, a vida é espelho de mil faces.