segunda-feira, 27 de setembro de 2010

o salto

quero saltar
meus pés cautelosos se aproximam do precipício
não quero me entregar à morte
quero o outro lado do abismo.

mas é longe
é distante aonde quero pousar
me dá vertigens olhar aonde posso cair
é quase insensatez o quanto terei que voar.

talvez meus erros
ou o destino aos tropeços me trouxe aqui
mas só me resta um acerto ou um derradeiro erro
do outro lado pouso ou lá embaixo... caio.

Meu jeito careta de ser

Sinto o pulsar da vida no ritmo
do seu coração.
Vejo a força nos seus ombros alvos
tão firmes como suas pernas torneadas.
Sorvo o ar agitado pelo seu perfume
o seu riso mostra seu estilo.

Aprumo meus olhos para ver
sem igual é sua beleza
...não posso descrever
nem ao menos como seu poeta ou seu amante
mapear seu corpo ou sondar sua alma
cravejada com mil diamantes.

Provo o sabor eterno do amor
ao falar e atento ouvir sua voz.
Corro contra a idéia fixa de segurar sua mão
e em seus braços voar contigo.
Revelo meu jeito careta de ser
ao abrir meu coração e sonhar com você.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

estranho mundo novo

ou... "foi isso que eu entendi de pós-modernismo"

Sou ruptura, fragmentos plurais
sou falta de consenso, rostos multifaciais.
Vivo a angústia de não saber o amanhã
a verdade que trago não é regra nem será espada
ela se esgota nesse momento, nesse lugar, nesse olhar.

Não tenho fundamentos que me dêem a certeza de permanecer
mas tenho asas e posso voar
e entre tempestades e raios me metamorfosear,
nem que seja só para conservar aquela beleza única e necessária.

Abaixo os tiranos, mesmo aqueles que vivem em nós!
Quero o desconforto de quem sempre procura
o estranhamento necessário de quem
(tão logo acostuma-se a uma idéia)
sente a inadiável vontade de retornar ao caminho
das imprevisíveis possibilidades.

O pacto

Não eras, meu amigo, o amor o que importava?
Deveras não era ele a plenitude da vida
E por ele não devia eu dar tudo e em tudo arriscar-me?
Se a força da juventude me fizesse voar não deveria eu
O amor buscar e em tudo me entregar e perseguir
E contra tudo lutar e dá-me sem medo a esse amor?
Não eras meu amigo o amor o que importava?
Porque, então, é amargo o meu ventre como fel?
E minha boca azeda tem sede e bebe e não sacia sua sequidão?
Os meus pés cansaram e não querem mais correr
Pois a batalha os exauriu e buscar foi em vão.
Meu coração ferido a ferro está ébrio e não mais se renova
Deu-se ao vício, incorrigível, irrecuperável sua vista turva
Não mais quer crescer, não mais meu amigo, quer sofrer.

A verdade tem o caráter do absoluto e a esperança do eterno
Tornam a noite em dia, o choro em riso:
E a vida flui como águas perenes que irrigam esse deserto.
Tornam a noite em estrelas, o choro em lágrimas de prazer:
E a vida é fogo que ilumina os olhos e aquece mórbido inverno.
Porventura esquecerás dessa vida e conseguirás viver?
Como uma candeia nada é se não há fogo que a faça queimar
Teus olhos emudeceriam e teu corpo amorteceria em silêncio
Se deixasses de perseguir, meu amigo, fogo para o teu altar.
Tu dizes que não mais quer, que teus pés cansaram
E falas que em tudo buscastes e nada encontrastes
Pois o teu ébrio coração ferido não mais quer sofrer.
Porventura, meu amigo, que emana do teu corpo ao chorar?
Podes tu renegar a vida, arrastar-se sem forças pelo teu deserto?

Permitam que também eu fale ao meu desinquieto amigo
Pois ele amuado em cega obstinação esqueceu do pacto
Que quando ainda jovens fizemos com coragem atroz:
“A prisão é liberdade! Na morte ou fracasso temos um riso fácil!”
A incoerência não assusta, nem o desafio amedronta nossa alma.
Então o que fizeste agora? Meu amigo, que loucura o persuadiu?
Que medo o fez covarde, foi força ou fraqueza que o fez cair?
Perdoe minha rudeza, sabes que sou bronco caro amigo.
Sabes também que não há nada que impeça a vida de jorrar
Nem milhares de muralhas, nem o não que pensas lhe dar
Então não pense como tolo que ganhas ao fazer-se perdedor.
Se enriqueceres sob as sombras seu ouro será para as traças
Se abrires tuas portas e tuas dádivas deixares ir:
“A prisão é liberdade! Na morte ou fracasso temos um riso fácil!”.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Delírio

Desce entre os seios de uma rosa
uma gota de orvalho.
Corre com um desejo animal
o sangue nas veias rubras.
Bate contra as pedras opacas de diamantes
os joelhos de um viajante.
Sobe pelas vielas de um labirinto escuro
o doce aroma de um sonho.

Toca na renda fina
que envolve uma flor pequenina.
Houve o vento e seu desejo louco
de morrer junto ao sol no horizonte vasto.
Ver o beijo sonhado sob a luz da lua
resplandecer em lábios molhados.
Prova o sabor eterno da luz
no ébrio aconchego de uma doce canção.

a dois passos

Me ocorreu agora que anseio o céu que parece estar a dois passos,
mas sinto falta dos infernos que não vivi.

Raiva

Foi pensando e remoendo tudo, pensando e revendo o filme, pensando e sangrando, pensando e envenenando ainda mais a alma de rancor com tanto gerúndio estuporando-o por dentro desde que tomara a infeliz decisão de não ceder nem ouvir e tapando os ouvidos nem olhar nos olhos a menina que sem alento tanto tempo havia amado.

Comunicado

Sou o autor do blog "no escuro da minha alma", um blog que criei para postar meus textos, contos e poemas.
Sei lá como aconteceu, mas não consigo mais acessar esse blog. Então, depois de muito tentar resolvi o problema, abri um outro blog: Esse.
Esse post é apenas para comunicar, afinal alguns certamente verão aqui textos que viram lá e poderiam pensar... plágio? dejavu? mesmo autor? É isso, mesmo autor. E agora tomei as providências que acho serem suficientes para que isso não aconteça de novo.

Abraços;
Sant'Ana

cicliquez

parafernália

porque você, eu, a gente não é uma coisa só,
a gente é um monte de coisas reunidas
que você não sabe o nome,
que a gente vai descobrindo aos poucos,
se maravilhando e se horrorizando.

quem é todo santo ou pecado por inteiro?
que traste não tem um traço sequer de virtude?
que herói não guarda a sete chaves instantes de covardia?
que puta não é também apenas menina ou poeta que é leitor
pois se o rótulos são autoritários, a vida é espelho de mil faces.