sexta-feira, 15 de outubro de 2010

o Bocudo

Uma das muitas coisas que encontrei numa antiga agenda esquecida entre coisas velhas.

o Bocudo

Era pobre, pobre e feio, a pobreza o enfeiara,
era feio, mas espero como um coelho.
Ser como um coelho nada adiantou
continuou feio, sujo e mudo.
Pensou então: ser coelho é feio
Serei então bocudo. E o bocudo colocou a
boca pra defender os sujos, os mudos e ele.
Chamaram a polícia, trancaram o bocudo.
E o Bocudo ficou mudo.
Ser bocudo era crime, condenar
o crime é crime (não sabia?!...).
E os sujos, os mudos e os puros
esqueceram que um dia
conheceram um bocudo.
Mas seus avós contavam
de um bocudo puro que foi trancado
para ser mais um homem mudo.

2 comentários:

Sandra Botelho disse...

Excelente satira sobre a ditadura.
Quando muitos foram silenciados até mesmo com a morte.
Bjos chocolatados

Solfejando poesia disse...

Essa historia mostra a realidade em que vivemos...
Agradeço sua visita e to seguindo vc tb. Beijo grande!

Álly ;*