quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A face do amor

Um dos meus primeiros poemas,
quando o li novamente depois de redescobrí-lo numa velha agenda,
assustei-me.

O sol acorda e vê tédio na terra
Seus raios se inflamam e querem fugir
Mas o confronto é inevitável e viril
Pois há tédio na terra e o sol enlouquece.

Os homens frios se revoltam à luz ardente
Os raios de sol irritam-se, escorregam-se dos homens
Mas a praga os umedece e a luz nervosa
Aquece o ódio do sol contra a terra lerda.

As armas do astro brilham, a terra é o alvo
Os raios de luz ferem homens impassivos
O sangue brota nos olhos queimados que ardem
Da luz surgem espadas impiedosas que embalam a dor.

Na terra lombos feridos curvam-se cansados
O sol contempla o caminho onde sua ira passou
E no fim deste caminho onde sua espada parou
Uma bela moça com um cântaro imersa em sol.

Que brilha em seus cabelos adornados com uma flor
Que faz dos raios de sol gravetos que incendeiam
Suas faces temperadas com um ardor fresco
Que torna brisa e envolve seu corpo que é todo amor.

4 comentários:

*Mi§§ §impatia* disse...

Pq se assustou? É um ótimo poema. Beijos.

Sandra Botelho disse...

SE assustou porque já escrevia coisas lindas assim e nem sabia, nem se dava conta disso.
Parabens é lindo.
Bjos achocolatados

Solfejando poesia disse...

Esse poema pode ser assustador sim... mas pela beleza profunda que encerra, pelas verdades ditas... e por ser um dos seus primeiros!

É lindo!!!

Dois Rios disse...

Minha querida,

Ainda que não saiba há quanto tempo você escreveu esse belo e delicado poema, só me resta dizer que, sejam dias, semanas ou anos, você sempre foi uma poeta.

Talvez você tenha se assustado com a sua sempre intensa capacidade de poetizar.

Beijo,
Inês