quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ela me lembra a Brunet

Confesso, esse poema nasceu originalmente como "ela me lembra a Maitê"; dedicado à uma jovem senhora muitíssimo elegante e elegantemente sensual. Mas essa moça que vejo quase todas as manhãs ao ir para o trabalho me fez relembrar esse poema e quase que instanteneamente pensar... "ela me lembra a Brunet".


Ela me lembra a Brunet.

Pode ser o seu indelével frescor de menina

Ou talvez pela sofisticação que nela se vê

Mas é provável que seja outra coisa que me fascina.



A paixão à flor da pele além do que se pode ver

O calor do desejo acedendo seus olhos cor de mel

que brilham com mil mistérios e é bom crer

pois seu sorriso esconde um inferno e todo o céu.



Tento em vão impedir cada nervo meu de estremecer

À suave provocação, sensual visão dela naquele jeans

E perco-me no perfume seu que incita meu querer.



Eu andar insinuante transtorna meu olhar

E seu cheiro me enlaça como seu sorriso faz enrubescer

Te olho abobalhado e penso em tudo, menos na Luiza Brunet.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O desenho

Perdas e Vitórias

 “O momento da perda é sempre de constrangimento e frustração, mas também pode ser libertador”.

Pensei a frase acima durante uma manhã de muito calor enquanto trabalhava com um uniforme pesado e molhado de suor numa empresa onde estou empregado há pouco mais de um mês. Há poucos meses atrás estava numa posição totalmente diferente, aparentemente mais confortável inclusive financeiramente, no entanto muito incômoda.
Às vezes é simplesmente por falta de visão, mas também pode ser por pura covardia ou descrença que não nos lançamos em busca do melhor, do improvável. O que nos faz precisar de um “incentivo” que nos arranque de nossa mediocrisante zona de conforto e nos atire no desconfortável terreno das infinitas possibilidades.
Um detalhe é que esse “incentivo” quase sempre vem na forma de uma perda, uma queda, uma tragédia ou um retumbante fracasso. O fato é que quando falta visão ou coragem para tomarmos a iniciativa precisamos de um “incentivo” desses. Isso faz lembrar duas ilustrações conhecidas: O sábio que depois de ter se hospedado na casa de uma pobre família que todo sustento tirava de uma única vaquinha, manda que seu aprendiz jogue a vaquinha num precipício; o aprendiz não tem escolha e se atormenta por anos até visitar aquela família muito tempo depois e encontrar no lugar a mesma família vivendo grande prosperidade. O que havia acontecido? Boquiaberto o aprendiz houve o chefe daquela família contar que viviam em grande dificuldade dependendo de uma única vaca até que aquele animal morreu; para se livrarem da completa miséria e da fome procuraram outros meios para sobreviver, o que não apenas os salvou como os fez prosperar.
Outra ilustração conta que um náufrago conseguiu com muito custo construir à beira da praia uma pequena cabana de galhos e árvores para se abrigar. Porém num certo dia, ao voltar de sua busca por comida encontrou sua cabana pegando fogo; cansado de tanto sofrimento após livrar-se da morte e agora frustrado ao ver sua cabana em chamas, ele começou a chorar e a praguejar em total desespero. Por pouco ele não ouve a sirene do navio que se aproximava para o resgate atraído pela fumaça que subia da cabana em chamas.

autoretrato